Os Curiosos casos de Benjamin Button do ENEM 2010
Os relatos a seguir são todos das experiências de alunos da 603 na realização das provas do ENEM. Os nomes foram suprimidos para que não haja constrangimento por parte dos afetados, pois todos os casos a seguir são cigarros feitos com jornal baseados em fatos reais.
Caso 1
Acho que nem os moradores das favelas do sudeste do país trocariam seus barracos por aquela sala. Também acho que até um bebê de 2 anos acharia aquela carteira pequena demais. Graças a Deus eu quase não tenho bunda. Um pouquinho a mais de nádegas e eu ia preferir fazer a prova no chão. Sem falar no calor. O aquecimento global perdia feio para aquela sala. “Podia ser pior” pensei. Concentro-me no gabarito enquanto a prova não vem. Então, do nada, escuto: “PÁ!”
- É bala, é bala! – grita alguém desesperado. Todos entram em pânico, começam a gritar e, seguindo meu exemplo, se escondem debaixo da mini-carteira. Pronto, a confusão estava feita. Enquanto alguns desesperados tentavam fugir pela janela, o fiscal pediu ordem, dizendo que não havia nada com o que se preocupar. Finalmente ele apontou pra cima e todos viram exatamente o momento em que uma telha solta era empurrada pra baixo pelo vento e na subida fazia o “PÁ” que alguns julgavam ser projéteis de um M-16.
Passada a confusão, todos continuaram nas suas carteiras até a chegada da prova e o toque da sirene. O destino da minha vida estava agora na minha frente. Eu tinha que me sair bem.
. . .
Exatamente às 15 horas e 20 minutos pedi para ir ao banheiro. A prova estava cansativa e eu estava com dor de cabeça, implorando por um pouco de ar. Me arrependi. O ar do banheiro tinha o maravilhoso perfume de gato morto assado com ovo podre e posto pra descansar 15 dias debaixo da terra. Fiz o que tinha que fazer e, quando estava pra sair, a minha visão turvou e tudo escureceu.
Quando dei por mim estava acordando no chão do banheiro. Levantei-me e torci para que aquela gosma branca que estava no chão sujando meu braço e meu rosto não fosse o que eu pensava. Voltei pra sala, mais morto do que vivo. Fiquei sentado na carteira meio atordoado. O “PÁ” que a telha fez me lembrou que eu estava vivo, e que tinha uma prova pra terminar.
Caso 2
Local de prova perfeito: ar-condicionado na medida, uma carteira maior que meu quarto e uma fiscal com a bunda da mulher melancia. Eu não havia tido uma manhã muito boa e meu intestino era a prova disso. A prova foi distribuída e o sinal tocou. Comecei com tudo.
Passada uma hora de prova, as coisas meio que complicaram... o meu intestino começou a fazer barulhos impróprios que só eu podia ouvir, e eu sabia muito bem o que aquilo significava. Senti uma pontada e percebi que o torpedo em forma de gás metano, com seu 1% de enxofre, estava preparado pra sair. Olhei para um lado, olhei para o outro, depois olhei disfarçadamente pra trás. Soltei devagar. Foi como um ninja: silencioso e mortal. Não me afetei, pois uma cobra é imune ao próprio veneno. Percebi uma coisa: havia uma legião de ninjas prestes a atacar, e o cavalo de tróia era meu intestino grosso. Resolvi não ter piedade.
Quando o relógio anunciou 2 horas, o cara atrás de mim pegou as coisas, entregou o gabarito e saiu batendo a porta. Nem apareceu no outro dia.
Caso 3
A prova já havia começado e depois do susto com o tema da redação, resolvi me ajeitar o melhor possível na carteirinha e tentar responder a prova. Estava indo bem quando chamaram uma menina que estava fazendo prova lá pra fora. Quando ela retornou pra sala, chorando, pegou as coisas, jogou o gabarito e a prova no fiscal e saiu sem fechar a porta. Aquilo me deixou meio atordoado, mas o que me deixou mais atordoado foi o que a garota que sentava atrás dela disse.
- Ah... eu acho que foi o pai dela que morreu.
Entrei em choque por uns 10 minutos. Um cara começou a assoviar o hino do Flamengo, como se prestasse homenagem ao falecido. Olhei pra ele com ódio no olhar e camisa do Vasco no corpo, e o silencio voltou a reinar.
Mais tarde os ficais alertaram sobre a troca do cabeçalho do gabarito e explicaram como proceder. Eu procedi. Errado. Troquei os números das questões como trocaram o cabeçalho do gabarito. Marquei a 46 na 1, a 47 na 2 e assim foi até o final.
Às quatro horas me levantei, olhei pra prova na minha mão, e disse bem alto:
- Moleza! – e saí rindo, triunfante.
Chegando em casa ganhei o título de “o lerdo do ENEM”. Maldito gabarito.
Caso 4
Diferente de muita gente, eu dei sorte. Fiz a prova na FAMA, ou seja: cadeira confortável e ambiente em ótima temperatura. Ao chegar à porta avistei uma colega de sala: Patrícia. Fui dizer um oi e toquei no ombro dela. Assim que ela virou percebi o engano. Era uma mulher mais velha, muito parecida com Patrícia, mas após óbvia constatação percebi que não era ela. Gelei de vergonha. Enquanto eu gaguejava tentando pedir desculpas para a mulher, para minha surpresa a própria Patrícia aparece e fica ao lado dela. “Não devia ter bebido antes da prova” pensei. E enquanto procurava uma ambulância com uma seringa de glicose pra me recuperar da visão dupla, descobri que aquela senhora era a mãe de Patrícia. E era impressionante: a mulher era menor que a filha! Quem não entendeu meu espanto não conhece a altura da dita cuja. Comigo e elas duas ali só faltavam mais 5 anões pra virar um conto de fadas. Depois de apresentações resolvemos então ir para nossas respectivas salas.
Conversamos durante o caminho e acabei descobrindo muita coisa interessante, como de onde vinha a voz alta e aguda da minha colega de sala, assim como sua risada: a mãe dela ria mais alto e mais agudo. Eu diria uma voz de 30 quilohertz, mas aí eu teria sorte e não ouviria. Provei pra mim mesmo que a genética era fator preponderante na personalidade, inteligência, beleza, altura corporal e na suportabilidade da voz. Deve ser por isso que eu sou tão galudo. Continuamos nossos caminhos entre as risadas mais barulhentas que turbina de avião, até finalmente chegarmos a minha sala. Entrei e sentei em minha cadeira lá no fundo da sala.
Passados uns 10 minutos, como a sala estava muito desanimada e um aluno da 603 como eu não podia deixar passar em branco, resolvi então fazer uma galudice. Falei bem alto:
- Paulo!
Onze retardados olharam para mim. Mantive a expressão séria e continuei:
- Quem é Paulo?
Agora cinco retardados levantaram a mão. Comecei a rir e eles finalmente perceberam a brincadeira. “Menos concorrência” pensei. Decidi me concentrar e esperar a prova quieto. Ao longe se ouvia o som de uma risada. Uma risada bem alta e aguda.
by: Gomez
cara, gomes, tu é terrivel, UAHSDUAHDAS
ResponderExcluirEu ri demais do caso 4:
ResponderExcluir- Paulo? UHAUHAHUAHUAUHAUHUHA'
Nossa, em todos os casos, há informações suficientes para descobrir a quem pertence, ou seja, o autor. No entanto, no caso 2, há uma maior dificuldade porque na sala há vários seletos "peidões". Uma pequena observação sobre o caso 3, na minha opinião, aquelas pessoas integrantes da sala ( que fizeram o Enem) são as pessoas que ficaram reprovadas no processo seletivo do antigo CEFET-MA para o curso de eletrônica no ano 2008. Cai entre nós ( só galudos) By: Eucicley
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