segunda-feira, 21 de março de 2011

Coisas que você aprende com 35 machos: desconfiar dos lugares.


             Eu como pessoa muito meiga, pura e inocente que sou sempre cai nas brincadeiras maldosas dos garotos. Além de sempre cair na brincadeira maldosa dos mesmos, eu também ficava muito tempo sem entender as piadas maldosas e, principalmente, as CONVERSAS maldosas.
                Numa dessas conversas, eu estava particularmente acomodada num grupinho de meninos tarados do fundão. Claro, eles poderiam falar o que eles quisessem porque afinal eu nunca iria entender. Ai, os tais resolveram falar das suas respectivas comemorações de 18 anos : a idade do macho.

Garoto1: cara, eu acho que vou fazer um churrasco, chamar a galera pra jogar bola numa dessas chácaras, banhar de piscina, beber muito. Isso é que é festa!
Tarado1:- cara, mas tu é muito otário. EU vou comemorar o meu é no 01.
Garoto1: -01? Caaaaaaaaaara, mas tu vai gastar uma grana lá.
Tarado1: -mas eu vou com uma galera que também vai gastar uma grana. ( como se isso o impedisse de gastar uma grana, mas tudo bem).
 otaria1 (eu):- 01? Vocês vão fazer uma festa no 01? Eu vou ser convidada? Claro né gente? rs( eu imaginando que era uma casa de show tipo “antena huuum” ou um lugar legal tipo Chez Moi)
Tarados: -  HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, Juliana quer ir pro 01 com a gente, HAHAHAHAHAHA.
Otaria1: - uai, mas qual é o problema?

E depois de semanas sendo zoada, eu vim descobri o que era o tal do 01 ( depois que perguntei inocentemente para minha digníssima mãe, que, PARA MEU ABSOLUTO ESPANTO, sabia até aonde ficava): um cabaret de luxo localizado no Parque Vitória com entrada permitida somente para homens ( 01- for men).

Lição do dia: nunca se convide para ir para lugares com garotos quando eles tiverem em grupinhos e/ou usarem interjeições muito intensas enquanto falam do lugar e/ou falarem palavrões com significado de interjeição intensa enquanto tiverem falando do lugar e/ou  tiver números envolvidos no nome do lugar e/ou forem do lado B da minha sala.

Por: Juliana Martins.               



terça-feira, 15 de março de 2011



23 de novembro de 2009, segunda-feira.

Eu realmente não lembro o que eu fazia no IFMA. Talvez, ainda correndo atrás de alguma menina, provavelmente [\o/, eu tinha namorada e não lembrei]. Só lembro nitidamente de ter ido beber água no corredor do DAE. Então eu ouvi aquele toquezinho infeliz da Nokia de quando chega uma mensagem.
Remetente: +732
Vai tomar no cu, fia da puta. Ass. Ronaldo
Luciano havia me ligado há meia hora dizendo algumas indecências, então deduzi que havia sido ele. Dormi sem preocupações. Nem imaginava o que me aguardava no dia seguinte.

24 de novembro de 2009, terça-feira.

Manhã normal. Alguns alunos no corredor com os celulares na mão. Entrei na sala, deixei a bolsa em alguma cadeira e saí.
– Foi tu, seu viado! – Lucas Costa (Slim, para os íntimos) me acusava de alguma coisa.
– Fui eu mesmo, e aí? – Entrei na brincadeira – É... Fui eu. Mas o que eu fiz mesmo?
– Galudo! – Slim continuou e me mostrou o celular com a mesma mensagem. “Vai tomar no cu, fia da puta. Ass. Ronaldo”.
– Ei, pô, eu recebi essa mesma mensagem ontem. Aqui, ó – mostrei o celular.
– É, eu, tu, Chico, China, Thales, Pedro e uma galera recebeu essa merda ontem.
– Doido, foi Luciano. Ontem ele me ligou, me mandou tomar no cu e desligou, aí, meia hora depois chega isso... – Slim interrompeu:
– Mas Luciano também recebeu.
...

Como de costume, ficamos alguns horários sem aula e, a toda hora, sempre que havia um espaço vazio, se falava dessa mensagem. Gente trocando acusações e alguns até mesmo dizendo que foi o Zina. Eu já havia me convencido de que Luciano estava por trás de tudo. Eu posso mandar uma mensagem da internet pra mim mesmo, por que ele não? Com isso na cabeça, eu deixei essa história de lado. Por ora.
Mas a coisa estava ficando insuportável: Era no almoço, no banheiro, na aula de química e até mesmo na piscina! E foi na piscina que eu não aguentei: juntei-me à discussão e decidi resolvê-la.
– Foi tu, Jaciel.
– Eu? Eu nem tenho celular.
– Então foi Paulo.
– Como? Sem internet? Eu moro no Tijupá Queimado, esqueceu?
–Ah...
Então eu me meti.
– Pera aí, quem recebeu a mensagem?
Algumas mãos levantadas.
–Quem tem o número de todo mundo que recebeu a mensagem?
Nenhuma mão levantada. Legal, o assassino engraçadinho não é tão burro. Descartei Edy e Juliana.
– Eu não tenho o número nem de Pedro, nem de Kid (Rubens) – Luciano se manifestou.
– Nem eu – Foi a vez de Thales.
– E eu – Toothy entrou na fila.
E assim continuou, porque, de todos que receberam a mensagem, ninguém tinha o número de um dos outros que recebeu.
– Legal, só pode ter sido alguém lá da sala e ninguém aqui tem o número de todo mundo – Jaciel, brilhante como sempre, interveio. Mas eu respondi:
– Olha aqui: Opções, Excluir Contato.
– Então, gênio, quem foi?
– Eu vou descobrir. Pode ter certeza.

25 de novembro de 2009, quarta-feira.

Dia novo, plano novo. Mas eu precisava que todos estivessem presentes, então esperei a aula de química à tarde, já que era antes da educação física, todos deviam estar presentes. Às 2 horas, o “Bom Crioulo” adentra (ai!) a sala: Rita di Kássio, o professor de química. E entre benzenos, metenos e butanos [Etanóis, haha], Eu mandei que recolhessem os celulares (‘Mandei’ é brincadeira, eu mesmo saí pedindo os celulares.) e, com cerca de uns quinze na minha carteira, eu comecei.
No dia anterior, eu tive uma sacada genial: se várias pessoas receberam as mensagens, deveria haver uma ordem, provavelmente alfabética [ooh!]. Até aí tudo bem, mas no que uma ordem alfabética ajudaria? Só diria que o engraçadinho tinha usado a lista telefônica do celular. Então! A sacada genial é o meu nome. Eu me chamo Felipe Gomes, mas eu sou mais conhecido como Gomes. Então há duas maneiras de salvar meu número no celular: Felipe Gomes ou só Gomes. Então mais uma vez: Se a mensagem chegou primeiro pra Francisco (que começa com ‘F’) e depois pra mim, significa que quem mandou a mensagem tem meu nome na agenda como “Gomes” e se a mensagem chegou primeiro pra mim e depois pra Francisco significa que quem mandou a mensagem tem meu nome na agenda com “Felipe”. Genial, não? Vamos, admite... Foi genial, não foi? Ai, ai... acho que Edy não entendeu a explicação. (nem Juliana).
Pois então, como já dizia, com todos os celulares em cima da mesa, as mensagens abertas com a hora de recebimento em evidência, eu comecei. Coloquei em ordem, do que havia recebido primeiro ao último a receber. E adivinha? Em ordem alfabética, como eu havia dito. E mais: eu recebi a mensagem depois de Francisco, ou seja, quem quer que tenha enviado as mensagens havia salvo meu nome como ‘Gomes’. E apenas duas pessoas fizeram isso: Luciano e o próprio Francisco. Só que Xico tinha na agenda o número de Ricardo (que também havia recebido a mensagem) salvo como “China” e, por isso, ele saia da ordem alfabética. Então sobra Luciano. Mas, porém, contudo, todavia, entretanto havia dois problemas. Primeiro: ele não tinha os números de Pedro e de Kid. Segundo: Luciano estava incluído na ordem alfabética. A primeira é fácil, basta excluir os números. Mas a segunda... Quando eu digo que ele se incluiu na ordem alfabética, quero dizer que, se ele mandou as mensagens, ele foi esperto o suficiente para mandar a mensagem para si mesmo dentro da ordem: Depois de mim e antes de Pedro. Ou seja, ou ele é um gênio, ou não foi ele. Fiquei com a segunda opção, e parti para quem havia excluído a mensagem ou quem não havia a recebido. Sem sucesso.

26 de novembro de 2009, quinta-feira

Já estava cansando. Hora de apelar pra Psicologia. Comecei ouvindo o que Jonh tinha a dizer:
– Por que tu tem certeza que não fui eu?
– Por que tu queria que fosse tu.
Desisti da Psicologia.
Resolvi, então, esperar e escutar. Conversas vão e vem e na quinta-feira ainda não tinha descoberto nada. Almoço, depois banho. Eu, Luciano e Xico no banheiro (ai, pára!). Luciano pega o celular e leva ao ouvido. Eu chego perto pra encher o saco e ele fecha o celular subitamente:
– Que susto que tu me deu, doido!
E foi escovar os dentes.
Continuei conversando com Xico sobre o assunto. Eu não sabia mais o que fazer pra pegar o engraçadinho. Já tinha descoberto a ordem, mas ninguém parecia se encaixar. Mesmo com algumas suspeitas, eu ainda não tinha achado ninguém com uma mente tão brilhante. Pensei em Slim, pois ele havia supostamente recebido a mensagem primeiro, mas havia apagado a mensagem. Pensei também no último a receber, já que quem mandou pra todo mundo pensaria: “Eu não recebi, logo vou ser suspeito... já sei, vou enviar pra mim mesmo!”. Mas o último foi Yuri. Não tá muito pra gênio do mal, não. E tava na ordem alfabética (‘Y’, né?).
E assim, eu, Xico e Lulu saímos do banheiro e fomos andando para o DCE. Chegando lá, comprei meu religioso cremosinho e o celular no meu bolso vibrou. Abri a mensagem e gritei:
– DESGRAÇADO, DESGRAÇADO! – Empurrei Chico e Luciano e corri pra sala. – Cadê Slim? Cadê o desgraçado?
Na biblioteca, disseram. Corri pra lá e encontrei a maioria que tinha recebido a primeira mensagem.
– CADÊ SLIM?
– Tô aqui, tô aqui. Que foi?
– Foi tu, né? Nojento desgraçado!
– Eu o quê?
Mostrei:
Remetente: +732
“Vc nunk vai descobrir quem eu sou, FDP.
Ass: Ronaldo.”
...

Momento de calmaria. Slim tinha um álibi. Todos na biblioteca tinham um álibi. Ninguém tinha acesso a um computador na hora do recebimento da segunda mensagem. Paulo tinha faltado, mas ele mora no Tijupá Queimado, então... “No way”. Sem chance.
Iria então a uma lan house? Improvável. Xico e Luciano estavam do meu lado. Os álibis de quem estava na biblioteca eram reais porque todos que testemunharam queriam achar o engraçadinho. Se ninguém teve acesso a um computador na hora em que eu recebi a segunda mensagem, então alguém de fora deve ter mandado. Provavelmente algum parente do engraçadinho.
O grande problema foi esse “provavelmente”.

29 de novembro de 2009, segunda-feira.

Ainda nada. Mesmo após o final de semana na posição de estátua pensante, eu não consegui nada. O jeito era esperar de novo. Talvez surgisse uma terceira mensagem. Ou talvez o Zina se entregasse.
Passando pela quadra com Ricardo e Maxwell, eu ouvi uma coisa interessante:
– Xico disse que tem um site que dá pra agendar mensagens pela internet.
Isso explicaria muita coisa. E tornava Xico um dos maiores suspeitos.
Já à noite, depois de interrogar o cabeçudo, eu descartei a possibilidade do agendamento da mensagem. O site não existia. Era só uma suposição dele. Não teve jeito: Eu teria que criar uma armadilha. Mas por mais que eu pensasse nada vinha à minha mente. Eu li e reli as mensagens e nada. O jeito era ir dormir.

30 de novembro de 2009, terça-feira

Após analisar friamente a segunda mensagem, eu cheguei a algumas conclusões. Primeiro que a pessoa que enviou a segunda mensagem não foi a mesma que enviou a primeira; segundo, a pessoa que enviou a segunda mensagem era uma mulher, ao contrário da primeira, visto que a forma de escrever “vc” e “nunk” é bem característico de mulheres, e o “FDP” em vez de “fia da puta” como na primeira mensagem revelam certo receito em xingar alguém claramente, característico de mulher.
O desgraçadinho mandou a primeira mensagem e depois pediu pra uma prima, irmã, mãe, tia, ou avó pra mandar a segunda. Mas isso me deixava com muitos suspeitos ainda. Comecei com Yuri:
- Tu! Tu tem uma irmã! Foi tu! Tu pediu pra ela mandar a mensagem né?
- Gomes, minha irmã tem 9 anos.
- Ah... Mas... err... esquece.
Era mais provável uma prima, já que a maioria tinha irmãs menores, e primas de mesma idade são mais comuns. Mas isso me deixava mais enrolado: eu teria que descobrir laços familiares, árvores genealógicas e filhos bastardos. E mesmo que eu conseguisse uma lista com os parentes de todo mundo, eu não iria a lugar algum, pois é muito simples negar envolvimento. Agora eu realmente não sabia o que pensar. Fiquei sem idéias e sem esperança. Como pegar o desgraçado? Quem é inteligente o suficiente pra manter esse mistério de pé? Quem? E, entre meus pensamente irritados, eu escuto uma voz atrás de mim:
– Fui eu.
...

EPÍLOGO
(Por telefone)
– Alô? (voz de sono)
– Carol?
– Oi...
– Faz um favor pra mim?
– Diz...
– Bem aí, em cima em cima da mesa do computador, dentro do DVD de Naruto tem um papel.
– Tem sim.
– Liga o computador e manda o que tem escrito pra esse número.
– Mensagem?
– É.
– Mas é pra mandar exatamente o que tem aqui?
– É. Pra esse número.
– Mas Luciano, tu tem certeza?
– Toda a certeza do mundo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Coisas que você aprende estudando com 35 machos:






Ao longo desses três anos eu aprendi muita coisa estudando com tantos machos. Essa saga "Coisas que você aprende" não é baseada naquele " Eu aprendi" de Shakespeare. Isto está longe de ser romântico. Então, queridos leitores, aqui trago nossa primeira lição de hoje. Boas aulas !


LIÇÃO NÚMERO UM:



1-      Toda vez que você for proferir o verbo “comer” você tem que falar alguma coisa imediatamente após pois, a imaginação dos homens é muito fértil. Ou seja, se você está com muita ,muita, mas muita fome você não pode simplesmente dizer “ quero comer”. Tem que dizer “ quero comer camarão” ou “quero comer arroz” ou simplesmente “estou com fome”. Esta lição sendo a primeira é de longe a mais importante tendo em vista que se você souber aplicá-la corretamente você se livrará de gozações ( digo, zoações) por três longos anos.


Por: julianamartins' (a diva)